Cirurgia de redução de mama

Olá, pessoal.

Faz tempo que eu me programava para escrever para vocês sobre a minha cirurgia de redução de mama, realizada no dia 10 de abril de 2017, no Hospital Celso Pierro, conhecido como Hospital da PUC, em Campinas. Mas para isso eu precisava me recuperar bem. Então, só agora consigo sentar e escrever sobre esse processo tão importante na minha vida. Tenho certeza que muitas mulheres que me acompanham nas redes sociais e até mesmo aqui no blog já tiveram curiosidade de saber sobre esse procedimento cirúrgico. Mas aqui eu não vou falar detalhes sobre a cirurgia, já que há muitos materiais disponíveis na internet. Aqui eu vou escrever sobre a minha experiência.

Eu sempre tive muito seio, o que na época da minha adolescência (16 a 20 anos) era considerado socialmente normal e até bonito. O meu seio, já naquela época, me incomodava um pouco pelo fato dele chamar a atenção, mesmo quando eu gostaria de passar desapercebida. Por outro lado, como um mecanismo de defesa, eu tentava me convencer de que eles eram legais e por isso chamavam atenção.

Com o tempo, os seios aumentaram porque eu também aumentei de tamanho. Aos 25 anos iniciei meu processo de transformação do corpo, em três anos engordei muitos quilos, mas vivia no efeito sanfona: engordava 10, 15 quilos e emagrecia 10. Depois engordava todos os 10 quilos que eu havia emagrecido, e mais uns 5 quilos. Acabou que eu não percebi e quando me vi estava com 89 quilos. Ou seja, quase trinta quilos acima do peso considerado ideal para a minha altura (1.60 cm).  Estar muito acima do peso gerou um efeito devastador na minha mama: aumento do volume.

Em 2016, quando eu iniciei meu processo de emagrecimento, aos 28 anos, o volume dos seios diminuiu muito, mas, em contrapartida, a mama caiu. Muitas pessoas que me viam com roupas se espantavam quando eu dizia que estava buscando a cirurgia de redução de mama. “Ah, mas não precisa, esse tamanho já está ótimo”; “Ah, mas agora que você emagreceu, você ficou até com os seios menores”. Enfim, ninguém entendia, porque ninguém os via sem sutiã.

Fazia um tempo que eu estava na expectativa de realizar a redução de mama pelo SUS (Sistema único de saúde), mas como estava em emagrecimento, eu sabia que não daria para ser imediatamente. Acabou que me chamaram quando eu estava com 63 quilos. Foi fantástico, porque calhou de ser na reta final do meu processo de perda de peso. Fui para o hospital no dia 10 de abril.

A Cirurgia:

A cirurgia em si foi um sucesso. Eu nunca tinha tomado anestesia geral e tão pouco tinha passado por algum procedimento cirúrgico. Era leiga de tudo. Mas a notícia da cirurgia veio tão rápida (achei que surgiria vaga em julho de 2017, mas aconteceu antes), que eu não me programei para ela, psicologicamente falando. Me ligaram do hospital na quarta-feira, dia 05 de abril, dizendo que segunda-feira eu operaria. Foi no susto. Tive dois dias úteis para organizar a minha vida, comprar sutiã pós-cirúrgico, meia pós-cirúrgica, adiar compromissos, fazer mala, planejar o pós-operatório. Nesse momento, foi fundamental o apoio da minha família: meu companheiro e minha mãe foram meus braços, literalmente.

Eu fiquei super tranquila  no dia da cirurgia e nos dias que a antecederam. Por ter sido tudo muito rápido, não tive tempo de ficar pirando sobre os riscos. Eu sou super dramática, então sai no sábado a noite com alguns amigos e fiz a sessão despedida, caso eu não voltasse do centro cirúrgico hahahaha Rolou um medinho, mas absolutamente controlável. O meu desejo de ter outros seios era maior que o meu medo.

Minha cirurgia estava agendada para às 7h da manhã. Eu tinha que estar no Hospital às 6h. Dito e feito. Fui a primeira a ser chamada. Pontualidade britânica. Foi tudo muito rápido, humanizado e profissional. O Hospital da PUC-Campinas está de parabéns.

Chegando no Centro cirúrgico, a gente fica nu, só com um avental. A equipe estava a postos. Quando o chefe da cirurgia plástica, Doutor Gilson, chegou, eles começaram a me marcar com canetão e régua. Tudo foi medido. Cálculo mesmo. Me senti como um frango e os médicos, no caso, são os açougueiros hahaha A gente não vale muita coisa nessas horas. Apesar disso, eu fui mega bem tratada, principalmente pelo anestesista moreno de olhos verdes (um colírio motivacional naquele momento- o Rodolfo que não me leia hahaha).

Eles me amarraram na maca, pois por estar desacordada, eu poderia mexer os braços. Colocaram em mim uma máscara de oxigênio. Pediram para eu respirar profundamente por três vezes. Só lembro de ter respirado duas vezes. Apaguei. Acordei às 11h. A cirurgia durou três horas e meia, um tempo considerado rápido, já que a média são quatro horas (para redução de mama). Não coloquei silicone. Opção. Eu gosto de um seio natural e o silicone, bem ou mal, daria volume e peso, justamente o que eu NÃO QUERIA.

Quando acordei, me senti num vagão de um trem na Índia, em horário de pico. A maca balançando, eu não entendendo onde eu estava, quem eu era (hahahaha). Fui levada para a sala de recuperação. Foi uma das partes mais ruins: a minha garganta doia! efeito do  tubo que passou pela minha garganta enquanto eu estava anestesiada. Tomei morfina. Estava grogue. Acordava e dormia. Acordava e dormia. Deixei a sala de recuperação quase 14h e fui para o quarto. Estava bem, apesar do mal estar terrível por ter sido entubada e pelo efeito da anestesia.

No fim do dia, eu senti os seis latejarem. Doiam tanto que a minha vontade era arrancá-los. Foi o único momento que eu pensei: “O que eu fui fazer”.  Tomei remédio e as dores foram diminuindo.

O primeiro dia foi muito tenso, porque a gente não pode mexer em NADA os braços. A cama fica inclinada 90 graus, temos que dormir sentadas (horrível!!! e ainda mais com dor).  A minha sensação é que aquela cama estava me engolindo. A gente pensa tanta coisa. Eu pensava muito que eu estava passando por aquela situação por escolha, não por doença e que isso deveria ser muito comemorado por mim, ao mesmo tempo que me fazia repensar se uma cirurgia estética valia a pena. E eu digo: no meu caso, valeu muito.

O Rodolfo, meu companheiro, ficou comigo o tempo todo. A visita ia até às 18h, mas como ele é O CARA (educado, simpático e prestativo), as enfermeiras deixaram ele ficar comigo até às 22h. E ele só não dormiu lá porque no SUS isso não é possível.

No dia seguinte (fiquei internada apenas um dia), o médico residente veio até o quarto ver os peitos novos. Foi a primeira vez que eu os vi. Foi um susto. Eu os vi de cima, não de frente. Quando o médico tirou a faixa que os envolvia, eu sorri e gritei: uau!!!! (hahahaha). Lindos, pequenos, duros e empinados. Fiquei emocionada. Sério. Logo depois, a minha médica veio e me deu alta. A cirurgia tinha sido um sucesso.

A volta para a casa foi muito tensa. Eu vomitei antes de ir embora. Não havia comido e a medicação na veia me fez passar mal. (Eu não comi pq não tive apetite). O caminho do quarto até o carro, no estacionamento, foi imenso. Sentei na cadeira de rodas e tive vontade de chorar. O corpo estava pesado demais, a canseira era grande, não tinha forças e sentia muitas dores. Foi horrível. Eu queria ser teletransportada e chegar na minha cama logo para poder dormir. Mas o caminho do Hospital até a casa da minha mãe, onde fiquei hospedada no pós operatório, foi muito difícil: Ruas esburacadas, transito…tudo doia. Por mais que o Rodolfo dirigisse devagar, com o pisca alerta ligado, cada movimento do carro era uma facada no seio. Sério! Não estou exagerando. Ao chegar na casa da minha mãe, eu comi um caldo de chuchu e dormi. A minha segunda noite também foi muito ruim: tive pesadelos, não conseguia dormir, sentia uma pressão forte nos seios. Horrível. E eu só pensava quando todo aquele mal estar passaria. Quando eu teria minha vida de volta.

O psicológico é muito importante no pós-cirúrgico

Após o terceiro dia de cirurgia, tudo começou a melhorar. A minha alimentação foi mega regrada. Eu só comia frutas (muitas), verduras, legumes e proteína animal. Não comi nada de açúcar. Foi por causa do pós-operatório que eu consegui me livrar do açúcar no café. Foi uma fase em que eu fui MUITO AJUDADA. E isso NÃO TEM PREÇO. Minha mãe foi TUDO PARA MIM. A minha amiga Yara também! Ela ia em casa me dar banho, pois sua experiência na época em que foi enfermeira a capacitava para, com muito amor e consideração, pudesse ajudar a minha mãe. O Rodolfo foi fundamental, me deu apoio, auxiliou a minha mãe. Enfim…sem esses três, tudo teria sido mais difícil. Eles me diziam: “calma, amanda, isso tudo vai passar. Um dia de cada vez”.

A cabeça da gente está 100 por cento, mas o corpo não corresponde e isso me gerou muita ansiedade. Querer ficar boa logo. Até que eu, logo nos primeiros dias, percebi que eu tenho que encarar o momento e vive-lo da melhor forma possível. Foi então que eu aceitei o pós-operatório e decidi passar por ele com o meu melhor.

O período de pós operatório me transformou demais. Percebi meu corpo de outra maneira. Passei a tocá-lo mais. Reparei no efeito dos alimentos em mim, se eu estava inchada ou não, além de me fazer pensar sobre o que realmente importa na vida. Até agora, 45 dias depois, a cirurgia ainda reverbera em mim. É um outro corpo. Outra Amanda.

Mesmo sem fazer atividade física, só com alimentação regrada, emagreci, em 45 dias, quatro quilos. Estou pesando 59. Fato que me convenceu sobre a seguinte tese: no processo de emagrecimento, a alimentação corresponde a 80 por cento dos resultados. A atividade física é importantíssima, corresponde a 20 por cento, mas sem dieta, nada anda. Os exercícios físicos são fundamentais para te dar energia, vitalidade, disposição, força, resistência, ou seja, saúde, mas não é ela que irá te emagrecer, que irá fazer com o que o seu corpo mude. O que fará isso por você é a dieta.

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Como não estou podendo fazer atividade física, a minha dieta ficou mais natural possível. Tento ao máximo comer o que vem da natureza e menos o que vem da indústria. Mais o que precisa ser descascado e menos o que precisa ser desembalado.

Depois farei um post sobre a percepção corporal que uma cirurgia estética proporciona.

Comentem, critiquem, deixem a opinião de vocês nos comentários.

Você já fez alguma cirurgia estética (pergunta). Conte sua experiência.

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4 comentários sobre “Cirurgia de redução de mama

  1. Stephanie Bonifácio disse:

    Olá Amanda, tudo bem ?
    Gostaria de saber como você fez para conseguir a cirurgia plástica pela PUC, quais são os procedimentos que devem ser feitos para entrar na lista de espera.

    Desde já, agradeço.

    1. amandacotrim disse:

      Olá, Stephanie! tudo bem ? Muito obrigada pela sua mensagem. Me desculpe a demorar em lhe responder. Eu consegui a cirurgia via encaminhamento do ortopedista. Recomendo que vc passe em um antes de tentar consulta com o cirurgião plástico. A gente consegue consulta no hospital via posta de saúde. No posto vc passa com o clínico geral e pede um encaminhamento. A questão central será a fila. O hospital da PUC é um hospital escola, então há muito interesse por parte deles de realizarem os procedimentos cirúrgicos. Mas sei que o Mario Gati também realiza redução de mama. A Unicamp não faz mais esse procedimento, infelizmente. Espero ter ajudado 🙂 Boa sorte. Qualquer outra dúvida, volte a escrever.

  2. Lilian disse:

    Que corajosa! Depois de um ano amamentando, tudo oque eu pensava era em reduzir… Mas nunca teria coragem! Que duro o pos operatório,…
    mas parece ter valido a pena, né? Ta muito bonita 😊

    1. amandacotrim disse:

      Lilian, se eh algo que te incomoda, acredite: vale a pena. O pos operatorio pode ser muito tranquilo! Se vc começar a mudar a alimentação antes e manter uma boa alimentação durante, a chance de dar certo é grande. Confia! Rsrsrs muito obrigada pela mensagem.

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